Imagem acima: cafeigravura

sábado, 17 de setembro de 2011

maio


O corpo todo sangra
sangue cor de âmbar
onde o dedo singra
a angra em contorno
sem retornar ao sol
soturno de outono.

domingo, 11 de setembro de 2011

Sede

Um brinde à lua
tinindo no céu
sua luz aguada
tremeluz no sal
e piscam olhos de cal.

Agosto II

Outro agosto
novo hiato
a contragosto.

Trinta sóis
só
pó de talco
entre o palco
e a ribalta.

sábado, 2 de julho de 2011

Enos e Cântaros

Sirva teu afeto em postas
exalando névoa fria
a carne dura das costas
tem a cor cobre do dia.

A narina esquerda mente
Deite teu desprezo quente
vinagre bastardo vinho
em taça feita de ninho.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

mar


O sal do mar carece
do veio amargo que desce
as ondas de teu rosto
há muito crispado e roto
por ainda amar morto.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Tomate


Toma uma palavra segura
e repita em pitadas generosas
tomate tomate tomate tomate
e toma-te uma rasteira curiosa.

Ditado



Quantos amores ditos
nas sombras de luares
ecoaram indecisos
entre olhares e precipícios
e por fim sumiram
no momento oportuno.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Carpas e diamantes


Paciência antes de casar, Sarah,
pois cabem muitos tapas nessa cara
ingênua que se alimenta de angústia
e causa tanto espanto quanto fúria.

As tuas núpcias podem esperar
a mais amena estação, quando chovem
carpas e diamantes e não há jovem
que não ouça o lamento do mar.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Fiat Lux II



Mire as estrelas urbanas
decadentes e humanas
mate-as enquanto reluzem
sobre poças de ferrugem.

Então acenda o cigarro
puxe bem fundo o catarro
seco e cuspa do pulmão
pó de civilização.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Poema marrom


Perde tudo pra banca
Chega em casa, espanca
A mulher enxerida
Cheia de ferida

“Torrou tudo de novo
Não temos nem ovo”
Chora, soluça, esgoela
Antes de ser atirada pela janela.

Na rua, do crânio sai geléia.
Tem nojo, vai embebedar as ideias.
Depois d’uns goles, ouve ranger a porta
E dela sai a mulher morta

Culpa a bebida barata
Pois não vive o que se mata
Corre na sua direção
Para dissipar a ilusão

Mas ela o toca no rosto
Com afagos de desgosto
E antes dele pedir perdão
Seu corpo cai inerte no chão.

sábado, 19 de março de 2011

O mar vai virar baião


O som que o mar não aprende
Nem do canavial
Nem no carnaval.

Não canta como arroz
Despejado em refogado
A bronca do trovão
Engana-se no tom
Demasiado raivoso.

Os pulsos tímidos
Dedos vacilantes
Mentes sincopadas
São incapazes de imitar
O ritmado
Lânguido e violento
Do mar.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Indicações


Vergonha latejante
Olhar atravessado
Amor lancinante
Humor invocado
A espinha e seu cume ostensório
Tudo passa com antiinflamatório.