Sirva teu afeto em postas
exalando névoa fria
a carne dura das costas
tem a cor cobre do dia.
A narina esquerda mente
Deite teu desprezo quente
vinagre bastardo vinho
em taça feita de ninho.
sábado, 2 de julho de 2011
quinta-feira, 19 de maio de 2011
mar
O sal do mar carece
do veio amargo que desce
as ondas de teu rosto
há muito crispado e roto
por ainda amar morto.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Carpas e diamantes
Paciência antes de casar, Sarah,
pois cabem muitos tapas nessa cara
ingênua que se alimenta de angústia
e causa tanto espanto quanto fúria.
As tuas núpcias podem esperar
a mais amena estação, quando chovem
carpas e diamantes e não há jovem
que não ouça o lamento do mar.
segunda-feira, 11 de abril de 2011
Fiat Lux II
Mire as estrelas urbanas
decadentes e humanas
mate-as enquanto reluzem
sobre poças de ferrugem.
Então acenda o cigarro
puxe bem fundo o catarro
seco e cuspa do pulmão
pó de civilização.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Poema marrom
Perde tudo pra banca
Chega em casa, espanca
A mulher enxerida
Cheia de ferida
“Torrou tudo de novo
Não temos nem ovo”
Chora, soluça, esgoela
Antes de ser atirada pela janela.
Na rua, do crânio sai geléia.
Tem nojo, vai embebedar as ideias.
Depois d’uns goles, ouve ranger a porta
E dela sai a mulher morta
Culpa a bebida barata
Pois não vive o que se mata
Corre na sua direção
Para dissipar a ilusão
Mas ela o toca no rosto
Com afagos de desgosto
E antes dele pedir perdão
Seu corpo cai inerte no chão.
sábado, 19 de março de 2011
O mar vai virar baião
O som que o mar não aprende
Nem do canavial
Nem no carnaval.
Não canta como arroz
Despejado em refogado
A bronca do trovão
Engana-se no tom
Demasiado raivoso.
Os pulsos tímidos
Dedos vacilantes
Mentes sincopadas
São incapazes de imitar
O ritmado
Lânguido e violento
Do mar.
sexta-feira, 18 de março de 2011
Indicações
Vergonha latejante
Olhar atravessado
Amor lancinante
Humor invocado
A espinha e seu cume ostensório
Tudo passa com antiinflamatório.
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